domingo, 29 de maio de 2011

Domingos de corrida - Zippy Race

Ah Monaco! Os amantes dos sonolentos ovais podem falar o que quiser, aquela porra toda gigantesca de Indianapolis jamais vai conseguir superar o charme, história e glamour do principado.

O GP de Monte Carlo pode ser considerado como 8 ou 80, ou você ama ou odeia. Os que odeiam geralmente o fazem, porque não conseguem entender que a corrida pelas ruas do principado põe de lado toda a disputa e competitividade de uma prova automobilistica para dar lugar à técnica, beleza e imprevisibilidade que o esporte a motor pode proporcionar. Quem consegue perceber isso certamente adora essa corrida.

Mas hoje foi diferente, dá pra dizer que este foi um dos melhores GP's de Monaco em muito tempo e não fosse o pequeno "furo" no regulamento que possibilitou a troca de pneus na bandeira vermelha, poderíamos ter tido as melhores voltas finais de um GP, mesmo com Vettel mais uma vez botando todo mundo no bolso.
Um monte de disputas, ultrapassagens incriveis e muito piloto querendo provar que não
comprou o seu assento. Valeu a pena cada volta!

Eu gosto de comentar sobre a F1 por aqui por dois motivos, o primeiro é porque assim eu consigo manter o vínculo do post com uma ocasião específica, pois no anterior eu já senti um feedback do pessoal que já relaciona a corrida na tv com mais um desses posts.
O segundo é porque eu sou unico aqui em casa que curte automobilismo, e como não tem ninguém para conversar sobre o assunto eu comento por aqui mesmo, como vocês meus queridos visitantes, além de poucos são extremamente calados, eu parto do principio que quem cala consente.

Vamos ao que interessa, (tô dando uma enrolada básica por que to achando que não vai ter muita coisa pra falar do game de hoje rsrs) quando eu era um feliz infante, lá pelos meus seis ou sete anos, tive meu primeiro contato com um videogame da terceira geração, até então eu só tinha jogado o Atari do vizinho e quando vi Tartarugas Ninja 3 no Phanton System de um colega eu pirei. Mas demorei para conseguir o meu saudoso Top Game, naquela época, assim como hoje, videogame era coisa cara, e o salário de professora da minha mãe não dava pra espichar demais. Mas enfim, num natal ou aniversário, não me lembro, eis que mamãe me compra um Top Game VG8000 da CCE nas Casas Pernambucanas, ele acompanhava dois controllers fixos  retangulares com uma alavanca estilo Atari e A e B na lateral, além de um adaptador para cartuchos americanos, coisa chique, foda pra caralho rsrs! E o danado veio com o cartucho de Super Mario Bros. que eu tenho até hoje! Um tempo depois ganhei de presente não sei de quem a minha segunda "fita": Zippy Race

Era aquelas fitinhas pretas da CCE no padrão japonês de 60 pinos, vinham naquelas embalagens de pendurar com uma espécie de plástico acrilico transparente onde ficava o cartucho, quem já comprou um Comandos em Ação ou Super Trunfo sabe do que estou falando. E era original!! Original da CCE claro rsrs.
Meus dois cartuchos "originais" que passei mais tempo jogando, depois de um tempo minha mãe me deu Contra, e ela tinha um xodó pela fita pois tinha sido cara, cerca de quinze mil cruzeiros, ou algo assim rsrs.
Falem o que quiser, mas a Lei de Reserva de Mercado possibilitou que muita coisa dos videogames de fato acontecessem por aqui, um NES original importado de Miami era os olhos da cara.
É muito engraçado lembrar hoje que dava medo comprar os cartuchos piratas no Paraguai pois podia estragar o videogame, melhor era usar os "originais da CCE". Mas depois que testei Megaman II e Somari e como eu fazia duas viagens por ano pra lá, logo acabei perdendo o medo.
Mas vamos ao game né!

Bom, primeiro vamos tentar não bagunçar as idéias a respeito dos nomes que o jogo já teve. Ele foi lançado para arcade no Japão pela Irem em 1983. A Williams trouxe o jogo para os EUA e mudou seu nome para MotoRace USA, porém algumas máquinas, não se sabe o porque traziam em sua pintura o nome Traverse USA e na Europa, mais precisamente na Espanha o game se chama Mototour (nem me pergunte porque).

Só pra complicar mais um pouquinho (ou facilitar, sei lá) as versões caseiras mantiveram o nome original japonês, mesmo no lançamento americano para NES. Ele também teve versão para SG-1000 na época e para Saturn e PS1 na coletânea Irem Arcade Classics de 1996. Parece que há uma versão para MSX, mas não consegui confirmar isso.

Ah, tem também um versão para ColecoVision, mas essa parece ser produção independente e foi lançada em 2008, você pode conferi-la aqui.


Eu, pra falar a verdade, passei a vida toda achando que o Zippy Race do NES era a unica versão do game, nem fazia idéia que era inicialmente um jogo de arcade, foi só por um acaso que um tempinho atrás nas minhas aventuras pelo MAME com games da década de 80 que me deparei com o um tal de MotoRace USA, foi legal descobrir que um dos games que mais marcaram minha infância tinha outros nomes e outras versões, é como redescobrir um jogo que me marcou muito.

Mas porque marcou tanto? O jogo é bom? Tinha algo nunca antes visto para a época? Você pode estar se perguntando.
Não, nada disso, graficos simples com dois tipos de visão, superior e por trás do motoqueiro, um som bem característico de arcades da época, que eu costumo chamar de funcional, não ajuda nem atrapalha e jogabilidade tradicional de shmups, apesar de que aqui não há tiros, você é um motoqueiro cruzando o território americano, de Los Angeles a Nova Iorque, passando por Las Vegas, Chicago, Houston entre outras.
Já que citei os dois tipos de visão, é legal que quando estamos quase chegando a cidade de destino e a visão muda para a traseira da moto, pode-se ver no horizonte detalhes da cidade, como os neos dos cassinos de Las Vegas ou a estátua da Liberdade em NY.

Mas como eu disse, o game não tem nada de espetacular ele me marcou mesmo por pequenos detalhes, que geralmente é o que basta na maioria das vezes, como ir descobrindo as manhas do jogo apenas perdendo as vidas, por exemplo o tempo certo de "atacar a curva" ou qual carro vai fazer o que naquela interseção, sem precisar de tutoriais ou instruções em video do YouTube. Ou então reclamar com a mãe por não deixar ligar o videogame na tv colorida (saco, como eu vou saber qual carro são os vermelhos, mais espertos e traiçoeiros?) ou lembrar de que quando se posicionava a moto exatamente sobre a faixa pintada na pista dava a impressão da moto estar "dando sinal de luz" e dar risada disso com o melhor amigo que hoje já partiu.

Não sou muito de ficar idolatrando o que já passou por pura nostalgia, não tenho mais o cartucho (os unicos que restaram daquele tempo são Mario, Contra e Batman), meu Top Game já não funciona a um bom tempo e quando quero matar a vontade de jogar algum game de novo corro para os emuladores, cinco minutos já bastam. Mas as lembranças que ele traz na memória são pra sempre. Não é aquele restaurante caro que marca, mas o garfo voando do prato junto com a asa de frango e a gargalhada em seguida, não é a vitória no fim da ladeira, mas sim a capotagem espetacular quando sua prima, seu tio e seu padrasto resolvem descer junto no mesmo rolimã.

Videogame são acima de tudo bons momentos e esse me deixou muitos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Como sempre, ótimo post! Este eu nunca joguei, vou tentar no Dingoo.

Sandro

Solo Player disse...

Muito bacana o post, principalmente a última frase...

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